Existe um esforço longo e contínuo que já acumula mais de uma década, no sentido de definir linguagens e padrões adequados à representação de "business processes". Esse esforço foi em grande parte patrocinado por empresas como IBM, BEA, Microsoft, TIBCO, WebMethods, Fuego, etc... e instituições como a OMG, WfMC, OASIS, RosettaNet, etc... Em paralelo, as mesmas empresas desenvolveram produtos orientados à "business process" que de fato proviam soluções reais e aplicáveis, além de tentarem aderir a certos padrões, embora naturalmente carreguem em si muitas características proprietárias.
Subjacente a este contexto, sempre houve uma disputa (e confusão) sobre o significado do termo "business process". Dessa disputa emergiram dois significados predominantes e muito diferentes entre si, os quais chamo de "Human Business Process" e "Application Business Process". Os termos, conceitos, padrões e produtos existentes atualmente, se encaixam em um ou outro. Com relação aos produtos, atualmente não conheço nenhum que seja adequado a "human" e "application business process" simultaneamente.
Human Business Process
Diz respeito ao conceito clássico de processo, como um fluxo de atividades predominantemente desempenhadas por pessoas. Processos que existem em função da produção, aprovação e publicação de documentos, são um caso particular. Uma instância de tal processo pode durar horas, dias e em alguns casos até anos. No passado o conceito mais utilizado era o de workflow. Atualmente este conceito foi incorporado aos conceitos mais abrangentes: Business Process Management (BPM) e Enterprise Content Management (ECM), este último focado em processos orientados a documentos.
Atualmente os padrões mais bem estabelecidos para BPM são a linguagem gráfica BPMN e a linguagem XPDL baseada em XML, mantidas pela OMG e WfMC, respectivamente. Ambos padrões estão sendo amplamente adotados pelos principais fornecedores de soluções BPM. Tipicamente estes padrões funcionam de forma complementar, onde o BPMN é utilizado para a modelagem visual, enquanto o XPDL é utilizado para persistência do modelo.
Existe uma polêmica sobre a adequação e aplicação do padrão BPEL para BPM. Alguns advogam que o BPMN deveria ser traduzido automaticamente para BPEL e este deveria ser executado em uma engine de processos, enquanto outros vêem desvantagens nesta tradução, preferindo uma arquitetura em que a engine trabalhe diretamente com XPDL. De fato, existem problemas conceituais e práticos com relação a viabilidade de tradução bidirecional (round-trip) entre as linguagens BPMN e BPEL.
Application Business Process
Trata-se de um uso do termo processo restrito ao universo de TI. Tais processos existem para coordenar fluxos de mensagens entre vários sistemas. As atividades tipicamente representam transformações de dados e operações de leitura e escrita em diferentes sistemas, e ocorrem preferencialmente no contexto de transações distribuídas. Uma instância de tal processo normalmente dura menos de um segundo, e muito raramente chega a horas ou dias. Os conceitos mais utilizados são o de Enterprise Application Integration (EAI) e Enterprise Service Bus (ESB), embora tambem esteja relacionado ao conceito Extract, Transform and Load (ETL).
Com relação aos padrões, o mais importante atualmente é o BPEL, cujos precursores foram o WSFL e o BPML. De forma complementar, existem os padrões WS-*, RosettaNet e ebXML e o antigo EDI. Em particular, quando os sistemas envolvidos são de diferentes empresas, tais processos são categorizados como integrações B2B.
Ainda é frequente o mal uso do termo BPM para processos desta natureza, e tambem é frequente que fornecedores de soluções de EAI tentem expandir a atuação de seus produtos para o universo BPM e vice-versa. Por exemplo, a BEA incorporou a funcionalidade de worklist ao seu "WebLogic Integration" para torná-lo BPM e fazê-lo suportar atividades humanas, no entanto mais tarde adquiriu a empresa Fuego, cujo produto foi rebatizado para BEA AquaLogic BPM, este sim sendo um boa plataforma de BPM. Atualmente o seu discurso comercial preconiza a utilização conjunta de ambas as plataformas, cada uma cuidando daquilo que faz melhor.